quinta-feira, 19 de março de 2009

MAIS UMA DO EQUIVOCADO SISTEMA ELEITORAL BRASILEIRO.

Do Terra
Vereadora eleita com um voto assume cargo no PI
Yala Sena
Direto de Teresina
A vereadora Carmem Lúcia Portela Santos, 46 anos, foi empossada na última segunda-feira na Câmara Municipal de Pau D'Arco do Piauí, tendo no currículo um fato inédito no País. Ser parlamentar com um único voto. Ela não sabe explicar porque só obteve um único voto, mas faz uma dedução: "As pessoas erram... acho que foram anulados. Não é possível que não tive o voto nem do meu marido?", disse.A história de Carmem Lúcia ganhou notoriedade quando o Tribunal Regional Eleitoral do Piauí cassou o mandato do vereador Miguel Abreu do Nascimento por infidelidade partidária. Ele foi eleito pelo PSDB e migrou para o PCdoB. No entanto, Carmem Lúcia, que só teve um voto na eleição de 2004, assumiu porque o suplente direto Reginaldo Sousa Santos, que era seu cunhado, morreu em um acidente de carro há dois meses."Sinceramente, eu não sei explicar esse um voto computado pelo TRE (a cidade tem 3,5 mil eleitores). Mas fico constrangida por saber que para eu assumir um colega teve que ser cassado. Isso não é legal", afirmou Carmem Lúcia.Professora do Estado, Carmem Lúcia trabalha na Secretaria Estadual de Educação em Teresina, que fica a 63 km do município de Pau D'Arco. Ela conta que é a primeira vez que disputou uma eleição. "Gastei apenas R$ 1 mil com santinhos e combustíveis", afirma a parlamentar, que é filiada ao PSB.Veja trechos da entrevista:
Como vai rebater as críticas de que é vereadora de um único voto?
Eu vou dizer que me sinto constrangida por assumir um cargo após cassação de um colega. Eu recebo as críticas de modo muito tranqüilo. Primeiro, não tive nenhuma culpa em nada do que aconteceu. As cassações ocorrem não só em Pau D'Arco, mas em todo o Piauí e no País. Eu fico tranqüila, pois não fiz nada para prejudicar ninguém.
Esse único voto foi o seu?
Eu tinha um sonho e alegria de ter sucesso na campanha e eu me propus a votar em mim mesma. Claro que ele (se referia a Reginaldo, que era seu cunhado) votou nele. Somos da mesma família e comungávamos das mesmas idéias. As pessoas da cidade, até os letrados erram quando vão votar, imagina... Por isso, creio que alguns votos foram anulados. Eu acredito que a minha votação não tenha sido tão grande, mas não foi apenas um voto...
Então, você votou em você mesma?
Sim, com certeza. Eu falei na reunião (na posse em Pau D'Arco), e fui mal interpretada, que esse voto tinha que ser do meu marido. Não é possível que ele não tenha votado em mim? Todo mundo sorriu. Ai dele se não votar em mim também (risos).Parece que ele não votou...Pois é, mas é possível que ele tenha errado. Mas, sinceramente, eu não sei explicar esse um voto computado pelo TRE.
Você se sente constrangida por assumir a vaga de vereadora?
Sim. Fico constrangida por saber que para eu assumir um colega teve que ser cassado. Isso não é legal. Mas é uma decisão do TRE. Eu não me sinto tão confortável. Mas estou tranqüila, pois estou cumprindo a lei. Eu quero fazer bonito e fazer o melhor de mim, nesse pouco tempo, e quero deixar uma marca e algo de bom para aquela cidade.
Pretende enfrentar uma reeleição este ano?
Sim, pretendo me reeleger de verdade. Eu penso, mas não quero dar uma confirmação agora. Quero conversar com o meu partido e assessores políticos e no momento certo anunciar a possível candidatura.Como vai conciliar ser vereadora de Pau D'Arco e ser funcionária pública em Teresina?Isso eu vou tirar de letra. Não haverá conflito do meu trabalho com o mandato de vereadora.
Extraído do blog de Aurênio Nascimento.

Um comentário:

Sérgio Provisano disse...

Esse fato é inédito, tenho conhecimento de um fato similar ocorrido em 1997 em Carapebus na sua primeira eleição, um fato similar: a candidata à vereadora pelo PMDB, Lígia foi eleita com apenas 3 (três) votos ela foi a sétima mais votada do partido que aliás. teria feito os nove vereadores se os outros dois candidatos da legenda não tivessem desistido quinze dias antes das eleições e oficiado à Justiça Eleitoral que não eram mais candidatos. Até hoje eles choram por essa decisão.

Lígia teve o voto dela e o do marido e o terceiro ninguém, nem ela tem idéia de quem foi.

Dona Carmem bateu o recorde de Lígia, que, diga-se de passagem não conseguiu a reeleição. A diferença básica entre Lígia e Carmem, além da extrema diferença no quantitativo de votos é que Lígia foi eleita diretamente e Carmem assumiu após uma sequência de eventos que levaram à sua posse, de resto, essas votações entraram para o folclore político brasileiro.